Pag.13 | Desconhecer e nada saber...o que me pode fazer!



Querido Diário


O desconhecimento sobre nós próprias, sobre a nossa anatomia, como funciona o nosso corpo pode levar-nos a ter sensações e reacções que não deviam acontecer, a uma sexualidade escassa em prazer...podem levar a nossa vida num caminho que não é o nosso, e de nenhuma mulher...


Há pouco tempo tive em consulta uma senhora que já passava os seus setenta anos. Procurou-me por disfunção pélvica...mas durante a avaliação confidenciou-me que a sua sexualidade sempre foi muito difícil...muito difícil...!! Disse-me que foi orgulhosamente virgem para o casamento...e depois com um sorriso acanhado e tom baixinho "ou então não, hoje não estou assim tão orgulhosa de nada saber". Por um lado notei uma sensação de alivio por finalmente deixar sair esta verdade que estava guardada em si há tantos anos. Nunca ninguém tocou neste assunto, nem ela própria... Hoje sente-se triste porque nada sabia sobre o seu corpo, não lhe era permitido tocar e olhar para se conhecer. Nada sabia de sexo, nada sabia sobre o que ia acontecer na noite de núpcias. Tudo era um grande desconhecido. Estava muito vulnerável e submissa à vontade do outro!! O seu começo foi de luz apagada, a camisa de dormir vestida e em tom de luta ele tentava puxar para cima e ela puxava para baixo. Teve dor desde a primeira vez...e daí para a frente foi uma vida inteira, a ouvir que não prestava enquanto mulher, que era frigida...


Esta realidade é também retratada na recente serie de Netflix Unorthodox. A personagem principal sofre de vaginismo (situacional).Na sua cultura ensinam, que o homem tem sempre a palavra primeiro, se ela estiver menstruada não pode deitar-se na cama com o marido, deve esperar sete dias e tomar um banho de purificação...o homem fica sempre por cima, vestidos e de luz apagada. Com este contexto como pode alguma mulher desfrutar do quer que seja...


O contacto destas mulheres com o seu corpo, com dor, desconhecimento e vulnerabilidade afecta a sua capacidade de sentir prazer, mas não só. Afecta toda a percepção da mulher sobre si mesma. Quer que todas estas sensações desagradáveis desapareçam. Preferia muitas vezes não ter vagina, não ter sexualidade, não ter nada disto... Ao longo do tempo, vai dissociando-se desta parte do corpo. Evita o contacto sempre que possível. E assim se começa a dar espaço para surgirem disfunções pélvicas (incontinências, dificuldades de evacuação, dor na região pélvica entre outras).


Conhecimento é o que nos salva minhas senhoras!! Não é preciso decorar um tratado de anatomia e fisiologia feminina, mas existem uns básicos...Conheçam-se!! e se não conseguirem sozinhas, estou aqui para ajudar...


Com carinho

A vossa Fisioterapeuta do pipi

Ana Carina Portugal

FISIOHANDME

Praceta José Regio, nº4 | Setúbal

 

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